domingo, 17 de junho de 2012

Principais problemas ambientais desde 1972


RIO DE JANEIRO - Desde a primeira grande conferência mundial sobre meio ambiente, em 1972, os temas "verdes" entraram na agenda política e na consciência do consumidor. Mas como este quadro demonstra, poucos problemas foram resolvidos e alguns se agravam rapidamente.
PROTEÇÃO À CAMADA DE OZÔNIO: o Protocolo da ONU de 1987 tornou ilegal o uso de gases de clorofluorcarbono (CFC) que corroem a camada de ozônio, o que protege o planeta dos raios solares que podem causar câncer de pele. Foi contida uma expansão maior do buraco na camada de ozônio, mas sua recuperação total está prevista para meados deste século ou inclusive depois.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS: na Rio-92, a ONU estabeleceu a Convenção-quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). Em 1997, a UNFCCC promulgou o Protocolo de Kyoto, o único tratado que estabelece cortes específicos de emissões de gases de efeito estufa. Mas as metas de Kyoto foram atropeladas pelas emissões de grandes economias emergentes que não são obrigadas a cumprir metas. As partes da UNFCCC concordaram em lançar um novo pacto em 2015, efetivo a partir de 2020. O tempo é curto. A Terra está a caminho de um aquecimento de três graus Celsius ou mais ao final do século, aumentando gravemente os riscos de secas, inundações e tempestades.
BIODIVERSIDADE: a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), outra herança da Eco-92, não conseguiu conter a extinção de espécies. O mundo não alcançou a Meta de Desenvolvimento do Milênio sobre a perda da biodiversidade para 2010. Os recifes de coral sofreram redução de 38% desde 1980 e e perda de hábitat é superior a 20% desde aquela década, principalmente por causa da agricultura.
OCEANOS: com exceção de algumas pescas que estão sob controle dos Estados, muitas populações de peixes sofrem um esgotamento sem precedentes. Em 2007, só 7% da produção mundial de pescado tinha o certificado do Conselho de Administração Marinho (Marine Stewardship Council) de produção com respeito ao meio ambiente. Há 169 "zonas costeiras mortas" nos oceanos e 415 que sofrem eutrofização, poluição das águas provocadas por altas concentrações de nutrientes (devido ao despejo de fertilizantes ou matéria orgânica) que causam a proliferação de organismos que consomem o oxigênio dissolvido na água.
ÁGUA DOCE: nos últimos 50 anos, triplicou a extração mundial de água subterrânea em resposta ao aumento da população urbana e da demanda agrícola. Só 158 das 263 bacias de rios que cruzam fronteiras nacionais têm acordos de cooperação em matéria de gestão de recursos. Noventa e dois por cento da "pegada de carbono" mundial da água se deve à agricultura.
ENERGIA: o aumento do interesse em energias renováveis, impulsionado especialmente pelos objetivos estabelecidos na Europa, contrasta com o predomínio dos combustíveis fósseis, que representaram 80,9% das fontes de energia em 2009. Desde 1992, a produção de energia solar aumentou 30.000% e eólica (ventos) em 6.000%. Mas em conjunto com a geotérmica, representaram apenas 0,8% do total global em 2009. Com os biocombustíveis e o gás proveniente do lixo, o percentual chega a 10,2%. O investimento global em energia e combustíveis renováveis alcançou um recorde de 211 bilhões de dólares em 2010, 540% a mais do que em 2004.
DESMATAMENTO: desde 1992, as florestas primárias do mundo recuaram 300 milhões de hectares, uma área quase do tamanho da Argentina. O desmatamento é a terceira maior causa de emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global. A boa notícia é que o reflorestamento ganhando terreno no hemisfério norte e que houve algum progresso na oferta de incentivos financeiros para proteger as florestas nativas. Desde 2006, quadruplicou uma iniciativa da ONU de replantar pelo menos um bilhão de árvores ao ano.
CONTAMINAÇÃO E DEJETOS: a produção anual de plásticos mais que duplicou nas últimas duas décadas para 265 milhões de toneladas, das quais a metade é usada para artigos descartáveis. A decomposição do plástico é muito lenta, criando uma ameaça ambiental de longo prazo. Por outro lado, o número de vazamentos de petróleo caiu nos últimos 20 anos. Chumbo no petróleo ou na gasolina está perto de ser eliminado e há um tratado mundial para deter a tristemente célebre "dúzia suja" de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e produtos químicos que se biodegradam tão lentamente que se acumulam na cadeia alimentar. Também no lado positivo, os consumidores são cada vez mais sensíveis à reciclagem, desde que não seja caro demais.
FONTES: Informe Global sobre Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); números sobre energia do informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) e Agência Internacional de Energia (AIEA).
Da Agência France Presse.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Governador inaugura estande de PE na Rio+20 e apresenta programa PE Sustentável


O governador Eduardo Campos e o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, inauguram nesta quarta-feira (13), às 16h no Rio de Janeiro, o estande de Pernambuco na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Em coletiva de imprensa, Eduardo Campos apresentará na ocasião o programa PE Sustentável, que visa estimular, com incentivos fiscais e financeiros, os principais eixos da economia verde (solar, eólica, biomassa e pequenas hidrelétricas), bem como tecnologias inovadoras e processos de eficiência hídrica e energética.
“Considerando o bom momento econômico do Estado, nossa expectativa com a apresentação do PE Sustentável no Rio é atrair investimentos para atividades econômicas inclusivas e sustentáveis, que de fato incentivem a geração de energias renováveis e a gestão eficiente de água e energia”, explica o secretário Sérgio Xavier, lembrando que a divulgação do programa na Rio+20 também leva em conta o fato de os temas oficiais da conferência serem: “Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e “Governança - Estrutura institucional para o Desenvolvimento Sustentável”. O PE Sustentável foi formalizado pela Lei nº 14.666, de 18/05/2012.
 
Com estrutura arrojada, concebida dentro de parâmetros sustentáveis, o estande pernambucano estará instalado até o dia 22 no Parque dos Atletas, pavilhão dedicado a exposições governamentais e intergovernamentais em frente ao Riocentro. Vai reunir informações sobre projetos e ações das várias secretarias estaduais dedicados à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável, com uma programação diária de palestras e encontros com empreendedores nacionais e internacionais e as equipes das secretarias de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Desenvolvimento Econômico (SDEC).
 
“Queremos apresentar as oportunidades para investimentos verdes em Pernambuco, destacando incentivos fiscais e ações de fomento para os eixos de maior viabilidade, considerando as vocações e potencialidades do Estado”, adianta o gerente-geral de Desenvolvimento Sustentável da Semas, Carlos André Cavalcanti.
 
Confira a agenda de Pernambuco na Rio+20:
13/6 – Quarta-feira
16h - Inauguração do espaço de Pernambuco no Parque dos Atletas (em frente ao Riocentro) e apresentação à imprensa do Programa PE Sustentável.

14/6 – Quinta-feira
9h30 – Abertura do Rio Clima: evento com representantes de 20 países, que teve encontro internacional preparatório no Recife em abril, o "Pernambuco no Clima". Seu objetivo é produzir documento com metas ousadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e evitar que o aquecimento global ultrapasse 2 graus centígrados até o fim do século, mantendo o limite de 450 partes por milhão de partículas GEE na atmosfera.

Participantes: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos; o ex-secretário executivo da Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (UN FCCC), Yvo de Boer; o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), que preside a Comissão Rio+20 do Congresso Nacional; e o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Após a cerimônia de abertura, o governador Eduardo Campos fará a palestra "Água e Sustentabilidade no contexto de Mudanças Climáticas", em que irá mostrar como Pernambuco, apontado pela ONU como região crítica em relação aos impactos da elevação da temperatura, está se preparando para o aquecimento global no seco semiárido e no chuvoso litoral, onde o mar avança.

15/6 – Sexta-feira

14h – Auditório Master do Parque dos Atletas – Palestra do secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Sérgio Xavier, na programação oficial da Rio+20, sobre "Políticas para a Sustentabilidade e Oportunidades da Economia Verde em Pernambuco".

17/6 – Domingo
15h – Auditório do Parque dos Atletas – Palestra do presidente de Suape, Frederico Amâncio, sobre "Complexo portuário industrial de Suape - Transitando para a Sustentabilidade".

20/6 – Quarta-feira
11h – Auditório do Parque dos Atletas – Palestra do Secretario de Planejamento e Gestão do Estado de Pernambuco, Alexandre Rebelo, sobre “Governança para a Sustentabilidade – Modelo de Gestão do Governo de Pernambuco”.
 
Nesta data, o governador Eduardo Campos também participará da cerimônia oficial de abertura da Rio+20.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ONU lista recomendações mais ousadas para um mundo sustentável

A ONU acaba de lançar, no Rio, a versão em português de um relatório com 56 recomendações para que o mundo avance em direção ao desenvolvimento sustentável. Elaborado por 22 especialistas ao longo de um ano e meio, o documento traz sugestões mais ousadas do que as que devem ser acordadas na Rio+20, a conferência da ONU sobre o tema que ocorre em junho na cidade.
Entre as propostas, estão o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e a precificação do carbono, com a cobrança, por exemplo, de impostos sobre as emissões de gases do efeito estufa. Espera-se, assim, estimular a disseminação de tecnologias verdes.
"É um relatório com frases e recomendações muito diretas", diz o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para a Rio+20. Segundo ele, o documento final do encontro de cúpula da ONU deverá trazer formulações “mais sóbrias”.
Outras medidas sugeridas são a criação de um fundo apoiado por governos, ONGs e empresas para garantir acesso universal à educação primária até 2015 e a inclusão dos temas consumo e desenvolvimento sustentáveis nos currículos escolares.
As recomendações são divididas em três grupos, de acordo com seus objetivos principais. O primeiro visa a capacitar as pessoas a fazerem escolhas sustentáveis; o segundo, a tornar a economia sustentável; e o terceiro, a fortalecer a governança institucional para o desenvolvimento sustentável.
"As pessoas participaram desse painel a título pessoal, ou seja, elas não estavam representando governos. Isso dá mais força (ao documento), porque o painel pode dizer certas coisas que não são consenso (entre os mais de 190 países da ONU)“, diz Corrêa do Lago.
O coordenador do relatório, porém, disse esperar que as recomendações sejam levadas em consideração pelos negociadores da Rio+20. Janos Pasztor citou o estabelecimento de metas numéricas para o desenvolvimento sustentável como uma sugestão que pode ser adotada no curto prazo. O tema está em discussão na Rio+20.
A ex-primeira-ministra da Noruega Gro Brundtland, considerada "mãe" do conceito de desenvolvimento sustentável, participou da elaboração do relatório. O documento completo pode ser acessado pelo site www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf .

Parque Dois Irmãos lança concurso de fotos da Mata Atlântica

Olhar, apreciar, fotografar... proteger! O Concurso de Fotografia “Olhares sobre a Mata Atlântica” tem a nobre missão de sensibilizar quem clica e quem aprecia uma bela imagem da Natureza a ajudar a preservá-la.



E já será a 4ª edição do evento que o Parque Dois Irmãos lança nesta sexta-feira (25), para comemorar o Dia Nacional da Floresta Atlântica (27 de Maio). As inscrições já estão abertas e são gratuitas. Para participar, basta ser fotógrafo amador da Natureza (de preferência, nos dois sentidos da palavra 'amador'), podendo concorrer com até três fotografias retratando detalhes da fauna e/ou flora do bioma.

As imagens devem estar impressas no tamanho padrão de 20 x 30 cm, e enviadas pessoalmente, ou por correios, ao Centro Vasconcelos Sobrinho de Educação Ambiental (CEA), do Parque Dois Irmãos, até 1º de junho (confira regulamento no site da instituição:www.parquedoisirmaos.pe.gov.br ).

De 2 a 10 de junho, período em que o Parque Dois Irmãos promove a Semana do Meio Ambiente, as fotografias pré-selecionadas estarão expostas no anexo do CEA para que o público visitante possa escolher a melhor, votando em urna no local. No dia 10, as três fotos mais votadas serão conhecidas e os autores, premiados.

Até o dia 1º a administração do Parque divulgará quais serão os prêmios. Para mais informações: (81) 3183.5543/3183.5539.

terça-feira, 22 de maio de 2012

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE IPOJUCA 2012




 PREFEITURA MUNICIPAL DO IPOJUCA
SECRETARIA DE TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 

SEMANA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

TEMA: ECONOMIA VERDE: ELA TE INCLUI?

PROGRAMAÇÃO

SEJAM TODOS BEM VINDOS!!!!








ERIVELTO LACERDA DE ARAÚJO
Secretário de Tec. e Meio Ambiente



domingo, 13 de maio de 2012

EM BREVE PROGRAMAÇÃO DA SEMANA MUNDIAL DE MEIO AMBIENTE


ECONOMIA VERDE: Ela te inclui?


Economia verde: Ela te inclui?

O tema de 2012 para o Dia Mundial do Meio Ambiente é "Economia Verde: Ela te inclui?". Este tema tem, evidentemente, dois aspectos. O primeiro se refere à Economia Verde propriamente dita. É nesse momento que algumas pessoas se desligam, pois acreditam que o conceito de Economia Verde é complexo demais para se entender.
Muito pelo contrário, a Economia Verde é algo que se aplica a tudo a seu redor é fácil imaginar como você se encaixa nela. Visite a página "O que é a Economia Verde?" para ler a explicação desse conceito por um leigo.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) define Economia Verde como uma que resulte em melhoria do bem-estar humano e da equidade social ao mesmo tempo em que reduz de forma significativa os riscos ambientais e a escassez ecológica. Na sua expressão mais simples, uma economia verde pode ser entendida como uma economia de baixo carbono, uso eficiente dos recursos e inclusão social.
Do ponto de vista prático, a Economia Verde é aquela cujo crescimento de renda e empregos é conduzido por investimentos públicos e privados que reduzem as emissões de carbono e a poluição, que aumentam a eficiência do uso dos recursos e da energia e evitam a perda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Esses investimentos devem ser catalisados e apoiados por reformas de políticas, mudanças nos regulamentos e direcionamento de despesas públicas.
Mas o que tem tudo isso a ver com você? Bem, esse é o segundo aspecto desse tema. Se a Economia Verde tem a ver com equidade e inclusão social portanto, tecnicamente, tem tudo a ver com você! Essa pergunta, então, pede para que você aprenda mais sobre a Economia Verde e avalie se, no seu país, se ela te inclui.
Para saber mais sobre a Economia Verde, adicione o site do Dia Mundial do Meio Ambiente a seus favoritos ou nos siga no Twitter e no Facebook, onde iremos explorar o conceito do que é realmente a Economia Verde e o que isso representa para você em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente.


Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
Meio Ambiente para o Desenvolvimento


Ilha de plásticos no Pacífico aumenta cem vezes em 40 anos


SÃO PAULO, SP - A massa de pequenos pedaços de plástico que emporcalha o oceano Pacífico aumentou cerca de cem vezes nos últimos 40 anos, revela um estudo do Instituto Oceanográfico Scripps (EUA).
A equipe da Califórnia não achou evidências diretas de que a poluição esteja causando problemas de saúde na vida marinha.
Mas os pequenos fragmentos de plástico, resultado da degradação do lixo descartado em boa parte do mundo, estão causando uma mudança ambiental inesperada: a multiplicação de um inseto marinho que precisa de plataformas flutuantes.
A descoberta está descrita em estudo na revista científica Biology Letters. A equipe liderada por Mirian Goldstein achou elevada quantidade de ovos do inseto Halobates sericeus em cima dos fragmentos de plástico. A poluição fez bem para a população deles, declarou Goldstein.
Normalmente, os animais precisam usar outro tipo de apoio para se reproduzir, como penas de aves marinhas boiando na água. A massa de plástico é reunida no mar por causa do chamado giro do Pacífico Norte, um sistema de circulação da água que cria uma zona de convergência nas vizinhanças do Havaí e da Califórnia, por exemplo.
Outros dados, também obtidos pelo Scripps, mostram que peixes estão ingerindo os fragmentos. Mas o principal problema talvez não seja esse, afirma Goldstein.
O norte do Pacífico, diferentemente de outras regiões oceânicas, não é naturalmente dominado por superfícies flutuantes, como certas algas do Atlântico.
Os pedaços de plástico alteraram isso, o que pode ter repercussões no conjunto de seres vivos que habitam a área, diz a pesquisadora.
Da Folhapress.

Ministério do Meio Ambiente anuncia parceria de R$ 6 milhões para a Caatinga


Fonte: Ministério do Meio Ambiente
A sustentabilidade ambiental nos diversos biomas brasileiros com inclusão social são prioridades da parceria do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) com o Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal (FSA Caixa).
Como parte dessas ações e com foco no bioma caatinga, foi assinado nesta quinta-feira (10), convênio de R$ 6 milhões para a promoção da eficiência energética, uso sustentável e combate à desertificação. A ação conta com o apoio das secretarias de Biodiversidade e Floresta (SBF) e Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEDR) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).


 
Os recursos serão destinados a sete projetos previamente selecionados, que irão atuar em três eixos em favor da sustentabilidade da matriz energética: manejo florestal comunitário e familiar da caatinga; promoção da eficiência energética junto aos setores gesseiro e ceramista e implementação de fogões ecológicos para comunidade rurais.

A atuação do projeto será nas regiões do Baixo Jaguaribe (Ceará), Xingó (Alagoas, Bahia, Sergipe e Pernambuco) e Araripe (Pernambuco, Piauí e Ceará), com período de dois anos de execução, o que permitirá a elaboração de planos de manejo e assistência técnica para cerca de 15 mil hectares de caatinga, capacitação a mais de 120 empresas e a implementação de cerca de mil fogões ecológicos em residências rurais em mais de 80 assentamentos.

Iniciativas como essa fazem parte de um processo de estruturação de ações de fomento à biodiversidade com a promoção de desenvolvimento sustentável e inclusão social, aponta o diretor do Departamento de Combate à Desertificação da Secretaria de Extrativismo de Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Francisco Campello. Ele conta que, na prática, os projetos selecionados beneficiarão toda a cadeia produtiva da indústria gesseira e cerâmica.

Ao invés de desmatar aleatoriamente a floresta, os pequenos produtores nos assentamentos (em parte, fornecedores da indústria de cerâmica e gesso) serão incentivados ao manejo florestal para, a partir daí, produzir carvão e lenha de forma ecológica e sem prejudicar o meio ambiente. As famílias também serão beneficiadas com fogões ecológicos, o que irá garantir a sustentabilidade da produção e redução das emissões de gases de efeito estufa.

Em 2010, o MMA e o FSA Caixa assinaram acordo de cooperação por meio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O ministério, com apoio de suas secretarias e entidades vinculadas, identifica as ações necessárias e prioritárias ao fomento, bem como promove os processos de seleção pública de projetos que serão financiados. Nessa parceria cabe ao FSA-Caixa, além da participação na concepção temática dos projetos, o repasse dos recursos que viabilizarão sua execução.

Mudanças climáticas tornam águas da Antártica menos densas, diz estudo


SYDNEY -  As águas mais densas da Antártica tiveram seu volume reduzido drasticamente nas últimas décadas, em parte devido aos impactos das atividades humanas sobre o clima, informaram cientistas australianos semana passada.
A pesquisa sugere que até 60% da "Água Antártica de Fundo", água densa que se forma nas bordas da Antártica, que penetra nas profundezas e se espalha pelos oceanos do mundo, desapareceu desde 1970.
"É uma resposta às mudanças que acontecem no clima das regiões polares, devido tanto a causas naturais quanto humanas", afirmou à AFP o chefe das pesquisas, Steve Rintoul, da Entidade de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade Britânica, entidade de ciências do governo australiano.
O fenômeno "não está provocando mudanças no clima, está respondendo a mudanças no clima. Portanto, é um sinal de que as coisas estão mudando na Antártica", acrescentou.
Os cientistas não têm certeza sobre o que está provocando o fenômeno, mas Rintoul disse que a hipótese principal é que quanto mais gelo derrete nas bordas do continente antártico, mais água doce chega ao oceano.
Ele disse que isto pode estar provocando o "afundamento" da água densa em latitudes elevadas, um processo que tem sido vinculado a grandes mudanças climáticas no passado.
"Nós estivemos rastreando essas massas d'água para ver se mudanças similares ocorridas em condições meteorológicas no passado podem ocorrer novamente no futuro", afirmou.  "Não vemos isto ainda, mas isto, a contração da água densa em torno da Antártica, pode ser o primeiro indício de que estamos nesta direção", acrescentou.
O estudo foi feito por cientistas australianos e americanos a bordo do navio Autora Australis, que partiu para a Commonwealth Bay, a oeste da costa Antártica, e retornou para Fremantle, na Austrália.
Eles mediram a temperatura e coletaram amostras de salinidade em etapas da viagem rumo ao extremo sul da Terra, revelando também a água densa em torno da Antártida ficou menos salgada desde 1970.
Rintoul disse que a mudança estava "provavelmente refletindo tanto o impacto humano no planeta, quanto ciclos naturais". "E o impacto humano inclui tanto o aumento de gases de efeito estufa, mas também o buraco na camada de ozônio sobre a Antártica", disse, acrescentando que este buraco fez os ventos do Oceano Austral se intensificarem.
Rintoul disse que é importante entender por que as mudanças ocorrem para se ter uma idea do quão rápido os níveis dos mares vão subir no futuro.
Da Agência France Presse.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pesquisa revela que aquecimento global acelera ciclo hidrológico


SYDNEY - Um estudo australiano sobre a salinidade dos oceanos nos últimos 50 anos revelou uma "marca" que atesta que as mudanças climáticas têm acelerado o ciclo hidrológico, anunciou nesta sexta-feira (27) um dos cientistas envolvidos na pesquisa.
O estudo, publicado na revista Science e realizado por pesquisadores australianos e americanos, analisou dados oceânicos de 1950 a 2000 e descobriu que os níveis de salinidade nos mares do mundo têm mudado com o passar do tempo.
A co-autora da pesquisa, Susan Wijffels, afirmou que os números são reveladores porque a salinidade era indicativa de mudanças no ciclo de chuva e evaporação.
"O que os resultados estão dizendo é que nós temos uma marca oceânica, uma marca muito clara de que o ciclo hidrológico da Terra já está mudando", afirmou. "O que vimos nas observações de como o campo de salinidade já mudou ao longo de 50 anos (é) que nosso ciclo hidrológico se intensificou significativamente", acrescentou.
Wijffels afirmou que o padrão se intensificou com o passar do tempo e que é possível deduzir que a mesma dinâmica também esteja ocorrendo em terra."O que isto realmente quer dizer é que a atmosfera pode realmente transportar mais água das áreas que estão secando para as áreas que têm grande ocorrência de chuvas mais rapidamente", acrescentou. "E isto significa, essencialmente, que as áreas úmidas ficarão mais úmidas e que as áreas secas ficarão mais secas", emendou.
Wijffels explicou que ter uma ideia clara do que ocorreu historicamente com as chuvas foi frustrante porque havia poucos dados de qualidade disponíveis e a maior parte deles foi coletada em terra, particularmente no hemisfério norte. "No entanto, a maior parte da superfície terrestre é de oceanos e a maior parte da evaporação que move nosso ciclo hidrológico acontece no oceano", afirmou Wijffels, o que faz dos oceanos um objeto meritório de estudo sobre as mudanças climáticas.
Cientistas do CSIRO, entidade de pesquisa e ciência do governo australiano, e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, usaram dados de embarcações nos oceanos do mundo e modelos climáticos para produzir seu relatório.
Segundo Wijffels, eles revelaram um padrão repetitivo de mudança, que se acredita ser resultante das mudanças climáticas. "E nós vemos isto no Atlântico norte, no Atlântico sul, no Pacífico sul, no (oceano) Índico; tem se repetido em cada bacia oceânica de forma independente", disse.
Da Agência France Presse.

Governo Federal realiza evento rumo à Rio+20 sobre biomas brasileiros




A Mata Atlântica, a Amazônia, a Caatinga, entre outros biomas brasileiros, estarão em foco esta semana em Brasília durante evento do Governo Federal que integra os preparativos para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).  O II Diálogo Federativo Rumo à Rio+20 acontece nesta quinta e sexta-feira (3 e 4 de maio), com o tema “Desenvolvimento Sustentável nos Biomas Brasileiros”.
O objetivo do evento é promover debates por bioma, integrando as ações nas áreas de Planejamento, Fazenda, Desenvolvimento Social e Meio Ambiente de todos os estados e buscando a transversalidade indispensável  ao desenvolvimento sustentável. Para subsidiar o debate serão apresentados trabalhos técnicos contendo uma síntese de iniciativas de economia verde em andamento nos estados ou municípios. Grupos de trabalho promoverão uma discussão integrada sobre arranjos regionais para o desenvolvimento sustentável.
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, vai participar do evento representando Pernambuco, que vem criando incentivos ao fortalecimento das energias renováveis e outros eixos da emergente economia verde, atraindo interesses de investidores internacionais (saiba mais: http://bit.ly/IpHSu7).
O Diálogo Federativo faz parte de um ciclo de discussões promovidas pelos Ministérios do Meio Ambiente, das Cidades, Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O primeiro foi realizado em 19 de abril, em Brasília, no Palácio do Planalto. O processo de Diálogos Federativos culminará em evento na Rio+20, em 19 de junho, quando é esperada a presença dos governadores dos estados.
PROGRAMAÇÃO

3 de maio de 2012, quinta-feira

Manhã
09h00 – Mesa de Abertura
10h30 – Conferência
11h30 – Contexto das iniciativas Rumo à Rio+20

12h00 – Almoço

Tarde
13h30 – Painel de Iniciativas de Economia Verde Inclusiva
15h00 – Intervalo
15h30 – Grupos – “Arranjos regionais para o Desenvolvimento Sustentável”
18h00 – Encerramento

4 de maio de 2012, sexta-feira

Manhã
09h00 – Relato dos Grupos
10h30 – Intervalo
11h00 – Plenário para Síntese e Encerramento

12h00 – Almoço

Serviço:

O que: II Diálogo Federativo Rumo à Rio+20: o Desenvolvimento Sustentável nos Biomas Brasileiros
Quando: dias 3 e 4 de maio
Onde: ESAF – Brasília - DF
Mais informações: (61) 2028-1154 DSIS/MMA
http://www.portalfederativo.gov.br/bin/view/Inicio/DialogoFederativoRio20
 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Acompanhe os dados de monitoramento do desmatamento dos Biomas:

Acompanhe os dados de monitoramento do desmatamento dos Biomas:

AmazôniaAbril/2012
- Deter janeiro, fevereiro e março 2012
Dezembro/2011
- Prodes de agosto de 2010 a julho de 2011
- Ações do Ibama
Outubro/2011
- Deter Setembro/2011
- Análise do desmatamento nas Unidades de Conservação Federais localizadas na Amazônia
Outubro/2011
- Deter Agosto/2011
Junho/2011
- Deter Maio/2011
Maio/2011
- Deter Março e Abril 2011
- Ações do Ibama
Abril/2011
- Deter Ago 2010 - Fev 2011
- Resultados PPCDAM e Arco Verde
Fevereiro/2011
- Deter
Dezembro/2010
- Deter
- Prodes
Agosto/2010
- Parte 1
- Parte 2
- Parte 3
Julho/2010
- Desmatamento
- Queimadas
Junho
CaatingaJunho/2011
Março/2010
CerradoAbril/2011
- Dados Ibama 2002-2009

Setembro/2010
Setembro/2011
Mata Atlântica
Fevereiro/2012
Dezembro/2010
- Relatório
- Apresentação
PampaFevereiro/2012
Julho/2010
PantanalFevereiro/2012
Junho/2010

Rio +20: Brasil busca convergência

Governo reúne estados e municípios para debates em torno da conferência. Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destaca a importância de se estabelecer políticas para o desenvolvimento de cidades sustentáveis
19/04/2012
Rafaela Ribeiro
Foto Rio +20: Brasil busca convergência

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou, nesta quinta-feira (19/04), o papel fundamental e estratégico do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) na busca por consenso entre os países participantes: "O Brasil tem uma oportunidade única de liderar e buscar a convergência entre várias situações para que a reunião seja exitosa", argumentou."Queremos uma agenda forte de desenvolvimento sustentável na ONU".
Durante o primeiro de uma série de encontros para ampliar o debate com os estados e municípios sobre o tema, a ministra fez questão de ressaltar a importância da presença da sociedade civil nas discussões. "É a primeira vez em conferência das Nações Unidas que a sociedade civil vai debater os temas que estarão relacionados ao formato político da reunião, que vai levar aos chefes de governo, aos chefes de Estado as suas conclusões", afirmou.

Diante da perspectiva de que, em 2050, cerca de 80 a 90% da população mundial estarão concentrados nas cidades, Izabella Teixeira chamou a atenção para a necessidade de se discutir o conceito de cidade sustentável. Mas, segundo ela, esse debate precisa levar em conta as diferentes realidades regionais. "Discutir esse assunto no Acre é diferente de discutir no Pantanal ou no Nordeste", argumentou. "O modelo de governança ambiental no Brasil precisa ser modernizado, atualizado".

O I Diálogo Federativo Rumo à Rio+20 foi promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto com as Secretarias de Relações Institucionais e de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O evento aconteceu no auditório do anexo I do Palácio do Planalto e contou com a participação do ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, além gestores estaduais e municipais integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, representando a sociedade civil.

Proposta criação de estação ecológica

Reunião extraordinária do Consema, nesta sexta, para a apresentação da proposta de criação de unidade de conservação estadual em Suape, no Grande Recife. Será uma estação ecológica com 2.470,14, no Cabo de Santo Agostinho. O estudo a ser apresentado foi financiado com recursos da compensação dos impactos ambientais causados pela Refinaria Abreu e Lima. A reunião será às 9h, no auditório do Cais do Porto, na Rua do Apolo (Bairro do Recife).
Abaixo, veja a proposta. Clique na barra do quadro, no último ícone à direita, para visualizar tela inteira e ESC para retornar.

http://www.slideshare.net/verasouto/proposta-esec-bitaeutinga

Governo não aceita retirar artigo sobre limites para reflorestamento

RIO DE JANEIRO - A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse na sexta (20) que o governo não concorda com o parecer do deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG) sobre o Código Florestal que retira do texto aprovado pelo Senado artigo que trata dos limites de recuperação mínima de florestas desmatadas. Para ela, as alterações no texto podem ser consideradas como uma anistia aos desmatadores.
"A posição do governo é não concordar com qualquer mecanismo que leve à anistia. Nós queremos o texto do Senado. Se você não estabelece isso [recuperação das faixas mínimas de proteção], você dá uma incerteza muito grande e isso gera anistia. Nós somos contra qualquer mecanismo que dê ideia de anistia para quem cometeu crime ambiental", disse a ministra, depois de reunião sobre a Rio+20 no Rio de Janeiro.
Segundo a ministra, o próximo passo será de negociação com os parlamentares para que o parecer não seja aprovado pela Câmara dos Deputados. A votação do Código Florestal na Câmara está prevista para a próxima terça-feira (24).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Audiência pública para discutir recuperação das orlas de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista ocorrerá no próximo dia 10

No dia 10 de abril (terça-feira), às 9h30, no Centro de Convenções de Pernambuco, auditório Tabocas, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) realizará uma audiência pública para discutir a recuperação das orlas marítimas dos municípios de Jaboatão, Recife, Olinda e do Paulista. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima), desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), com detalhes sobre as obras a serem executas, está disponível no portal da Agência - http://www.cprh.pe.gov.br/.

O projeto é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), e integra a política pública de controle dos efeitos causados pelas mudanças climáticas. Será limitado ao Sul pela foz do rio Jaboatão, e ao Norte, pela foz do rio Timbó.

De acordo com o Rima, a erosão costeira é uma reação da natureza à urbanização. No litoral pernambucano, os processos erosivos são evidentes ao longo da costa. Por isso, houve investimento em alternativas como pedras com função de quebra-mar, diques, espigões e muros de proteção.  No entanto, com o tempo, estas soluções mostraram-se economicamente inviáveis, pois alteraram a dinâmica sedimentar, comprometeram a estética do local, interferiram na visão cênica e em seu valor econômico.

A audiência pública é uma etapa obrigatória do processo de licenciamento ambiental, e se destina a ouvir a coletividade sobre o empreendimento a ser licenciado. De 28 de março a 09 de abril, uma equipe de mobilizadores sociais vai percorrer os quatro municípios diretamente afetados pelo projeto. O objetivo é a divulgação da audiência junto à população, bem como a diversos segmentos, a exemplo de prefeituras municipais, secretarias de Meio Ambiente e Organizações Não-Governamentais (ONGs), entre outros órgãos.

NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL/CPRH
Peixes-bois marinhos que aguardam soltura em cativeiro de manguezal da Paraíba estão contaminados com metal pesado. É o que revela pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que analisou o sangue dos animais, pertencentes à espécie de mamífero aquático mais ameaçada de extinção do Brasil.


Publicado no Jornal do Commercio, em 1º de abril de 2012. Foto: Guga Matos/JC Imagem, em 06.04.2011.


O estudo, concluído ano passado, mostrou níveis elevados de alumínio, estanho e chumbo, em comparação com os mantidos em Itamaracá e em Alagoas. Os animais da Paraíba e de Alagoas apresentaram, ainda, inibição de butirilcolinesterase. A enzima, relacionada à síntese da hemoglobina, composto fundamental do sangue, pois responde pelo transporte de oxigênio, é inibida quando ocorrem processos de intoxicação por inseticidas.

“Os resultados indicam que, em Alagoas e na Paraíba, os animais estão expostos a contaminantes existentes em maior quantidade nesses locais que nos tanques de Itamaracá”, sugere o professor Paulo Carvalho, do Departamento de Zoologia da UFPE e orientador do estudo, realizado para uma dissertação de mestrado.

O pesquisador esclarece que inseticidas da classe dos organofosforados e carbamatos inibem a butirilcolineserase e, portanto, possivelmente estejam sendo aplicados próximo ao mangue dos dois Estados vizinhos. “É válido destacar que esses inseticidas têm um potencial tóxico elevado e alguns deles, como o carbofuran, já foram proibidos nos EUA e na Europa”, diz Paulo Carvalho, coordenador do Laboratório de Ecotoxicologia Aquática da UFPE.

Com base nos resultados, pesquisadores enviaram recomendações ao Centro Mamíferos Aquáticos, vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente. A instituição, com sede em Itamaracá, se destina à reabilitação de filhotes órfãos de peixe-boi para soltura na natureza.

No estuário do Rio Maranguape (PB) e no Rio Tatuamunha (AL) o CMA-ICMBio mantém currais no mangue onde os peixes-bois permanecem até se acostumarem com a variação das marés e aprenderem a comer sozinhos antes da soltura definitiva. Ao todo, o trabalho analisou 16 peixes-bois desses dois locais e de Itamaracá.

A espécie, chamada pelos cientistas de Trichechus manatus, é herbívora e vive na costa do Nordeste e Norte do Brasil, onde soma cerca de 500 exemplares.

O mamífero aquático, que come por dia o equivalente a 10% de seu peso em algas e capim-agulha, atinge em média três metros, pesando aproximadamente meia tonelada. Figura nas listas brasileira e internacional de espécies ameaçadas de extinção.

“De forma simultânea, recomenda-se o levantamento por órgãos competentes, nas esferas municipais, estaduais e federais, sobre o uso dos organofosforados e carbamatos nas atividades produtivas das áreas situadas nas proximidades dos Rios Mamanguape (PB), Tatuamunha (AL) e Canal de Santa Cruz (PE)”, diz o documento, de janeiro deste ano.

A bióloga Daiane Garcia Anzolin, autora da dissertação de mestrado, destaca no trabalho que os índices de metais pesados na Paraíba são maiores ainda do que os reportados na literatura científica para peixes-bois da Flórida, nos Estados Unidos, e ainda para outros mamíferos marinhos.

“A região de Mamanguape, apesar de possuir beleza cênica e ocorrência natural dessa espécie, é circundada por uma área impactada com atividades de plantação de cana-de-açúcar, carcinicultura e falta de saneamento público”, descreve o professor.
O trabalho de campo para a dissertação, apresentada no Programa de Pós-graduação em Biologia Animal da UFPE, contou com recursos da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e da Petrobras. Os testes de laboratório tiveram apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Toxicologia Aquática, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado em Pernambuco por Paulo Carvalho.

O pesquisador, também presidente da Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia, lembra que metais pesados e inseticidas estão associados a doenças neurológicas. “Os peixes-bois não apresentam esse problemas pelas nossas observações, mas isso não quer dizer que não possam apresentá-los, uma vez que essas substâncias se acumulam no organismo.”

Ele lembra que estanho e chumbo são metais pesados não-essenciais, ou seja, sem função biológica conhecida. O primeiro é usado em tintas de barcos. O chumbo está associado a atividades industriais e alcança rios e mares como efluentes.