Osmar José Luiz Júnior, da Unesp, é coautor do artigo científico sobre a extinção de tubarão por conta da pesca no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, que está sendo contestado. Em entrevista por e-mail o biólogo rebate as críticas.
JC – Três mandíbulas de tubarões capturados entre 2009 e 2010 no arquipélago foram identificadas como de tubarão-das-galápagos, mas o senhor diz que eles estão extintos no local desde 1979. Como isso é possível?
JC – Mas a espécie está ou não extinta no local?
OSMAR – Dizer que a espécie não foi extinta porque três indivíduos foram capturados não refresca o problema, pois ela continua ecologicamente extinta, ou seja, sem capacidade de exercer sua função ecológica devido ao número extremamente reduzido de exemplares.
JC – O senhor contesta as evidências da UFRPE?
OSMAR – Um resumo publicado em anais de um congresso não tem o mesmo rigor científico de um artigo completo de um periódico internacional. Não estou dizendo isso para desmerecer o trabalho deles, mas apenas para enfatizar que o resultado ainda não foi avaliado por terceiros e as fotos das mandíbulas não foram publicadas para que a comunidade científica possa avaliar de maneira independente sua identidade.
JC – A espécie, além do arquipélago, é encontrada onde?
OSMAR – Essa espécie ocorre em ilhas oceânicas isoladas ao redor do mundo, e sua população vem sofrendo uma forte diminuição em todos os lugares onde ocorre. Exemplos de lugares aonde ainda hoje ela pode ser encontrada incluem as Ilhas Galápagos, local que deu o nome à espécie, e nas ilhas do Havaí, ambas no Oceano Pacífico. O Arquipélago de São Pedro e São Paulo era o único local no Oceano Atlântico onde uma população residente desta espécie era registrada.
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