Neste domingo, 11 de março, completa um ano que um terremoto seguido de um tsunami causou a explosão de um reator e o vazamento de radiação na usina nuclear de Fukushima, no Japão. O aniversário não deve passar em branco, e protestos contra a energia nuclear estão programados em vários países do mundo.
A ideia da mobilização começou na França, que é hoje o país que mais depende de energia nuclear no mundo – mais de 70% da energia produzida no país vem de fontes nucleares. Organizações contrárias às usinas nucleares decidiram fazer um protesto que foi apelidado de “corrente humana” – os franceses prometem fazer uma corrente enorme de pessoas de mãos dadas, ligando as cidades de Lyon e Avignon, que segundo eles é a região que mais contém usinas nucleares na Europa. Se eles terão sucesso, é difícil prever: mais de 200 quilômetros separam as duas cidades. Mas os franceses também fizeram um chamado para que organizações em outros países fizessem protestos locais.
A situação no Brasil é bem diferente da França. Aqui, menos de 2% da energia brasileira vem de nucleares. Ainda assim, uma coalização brasileira atendeu ao chamado dos franceses, e está organizando protestos em várias cidades do país. “Aqui, a pressão é para que o governo alemão não financie a usina de Angra 3, e para que o governo brasileiro desista dessa usina”, explica Chico Whitaker, membro da “Coalizão para um Brasil sem Usinas Nucleares” e um dos organizadores do evento.
Whitaker diz que o Brasil não precisa investir em nucleares, que representam uma porcentagem mínima na matriz energética brasileira, e argumenta que os riscos para gerar essa energia são muito altos. “Fukushima mostrou que não há a possibilidade de usinas nucleares funcionarem com total segurança. O risco é real”, diz Withaker. Outro argumento é a produção de lixo atômico. “É um problema não resolvido, porque gera lixo que leva milhares de anos para perder a radioatividade. Algumas partículas atômicas levam milhões”, diz.
Entre as ações previstas no Brasil, a coalizão planeja fazer correntes humanas em diversas cidades, inclusive em Angra. Em São Paulo, a manifestação será na Avenida Paulista, no vão do Masp, e no Rio, no posto 9 da praia de Ipanema. Manifestações também estão previstas em Porto Alegre, Manaus, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Recife. (Mais informações no site http://antinuclearbr.blogspot.com/).
As usinas nucleares perderam popularidade com o acidente em Fukushima, mas alguns ambientalistas defendem essa forma de geração de energia. Isso porque essas usinas não emitem gases de efeito estufa, e portanto não contribuem para o aquecimento progressivo do planeta.
Foto: A usina de Fukushima, no Japão, em foto tirada em novembro de 2011. David Guttenfelder/AP
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