segunda-feira, 12 de março de 2012

Desastre em Fukushima completa um ano com protestos em várias cidades do mundo



Neste domingo, 11 de março, completa um ano que um terremoto seguido de um tsunami causou a explosão de um reator e o vazamento de radiação na usina nuclear de Fukushima, no Japão. O aniversário não deve passar em branco, e protestos contra a energia nuclear estão programados em vários países do mundo.
A ideia da mobilização começou na França, que é hoje o país que mais depende de energia nuclear no mundo – mais de 70% da energia produzida no país vem de fontes nucleares. Organizações contrárias às usinas nucleares decidiram fazer um protesto que foi apelidado de “corrente humana” – os franceses prometem fazer uma corrente enorme de pessoas de mãos dadas, ligando as cidades de Lyon e Avignon, que segundo eles é a região que mais contém usinas nucleares na Europa. Se eles terão sucesso, é difícil prever: mais de 200 quilômetros separam as duas cidades. Mas os franceses também fizeram um chamado para que organizações em outros países fizessem protestos locais.
A situação no Brasil é bem diferente da França. Aqui, menos de 2% da energia brasileira vem de nucleares. Ainda assim, uma coalização brasileira atendeu ao chamado dos franceses, e está organizando protestos em várias cidades do país. “Aqui, a pressão é para que o governo alemão não financie a usina de Angra 3, e para que o governo brasileiro desista dessa usina”, explica Chico Whitaker, membro da “Coalizão para um Brasil sem Usinas Nucleares” e um dos organizadores do evento.
Whitaker diz que o Brasil não precisa investir em nucleares, que representam uma porcentagem mínima na matriz energética brasileira, e argumenta que os riscos para gerar essa energia são muito altos. “Fukushima mostrou que não há a possibilidade de usinas nucleares funcionarem com total segurança. O risco é real”, diz Withaker. Outro argumento é a produção de lixo atômico. “É um problema não resolvido, porque gera lixo que leva milhares de anos para perder a radioatividade. Algumas partículas atômicas levam milhões”, diz.
Entre as ações previstas no Brasil, a coalizão planeja fazer correntes humanas em diversas cidades, inclusive em Angra. Em São Paulo, a manifestação será na Avenida Paulista, no vão do Masp, e no Rio, no posto 9 da praia de Ipanema. Manifestações também estão previstas em Porto Alegre, Manaus, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Recife. (Mais informações no site http://antinuclearbr.blogspot.com/).
As usinas nucleares perderam popularidade com o acidente em Fukushima, mas alguns ambientalistas defendem essa forma de geração de energia. Isso porque essas usinas não emitem gases de efeito estufa, e portanto não contribuem para o aquecimento progressivo do planeta.
Foto: A usina de Fukushima, no Japão, em foto tirada em novembro de 2011. David Guttenfelder/AP

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